Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Malik, uma outra forma de poesia...

Malik, uma outra forma de poesia...

Apatia

 

 

apatia2.jpg

 

 

 

O problema não é a apatia

é acharmos a apatia normal,

essa que mergulha em nós

e recebemos de braços abertos

por não estarmos despertos

pelo cansaço de caminhos incertos

fartos de travessias em desertos

que nos enfraqueceram a voz

e mataram nossos sonhos;

 

E assim, no conforto da apatia

vamos definhando,

com o mundo caminhando

sem rumo e não cuidando

de fazer um novo dia.

 

 

Malik

 

O que resta

 

 

oqueresta1.jpg

 

 

Tudo o que resta de um ser

que um dia foi humano

é um sabor a engano

duma existência à deriva

onde ousar sonhar

foi contínuo profanar

de um templo chamado vida;

 

Para cumprir uma sentença,

condenação de nascença

de que não pôde apelar

ninguém merece viver,

restando-lhe o aguardar

o natural libertar

concedido pelo morrer.

 

 

Malik

 

 

A correr

 

 

acorrer2.jpg

 

 

 

Correndo por entre os carros

que não param de buzinar,

mais um dia a stressar

em movimentos mecanizados;

 

Que droga de vida esta

em que o tempo é o senhor,

sem prazer, sem sabor

onde se perdeu a festa?

 

Ouvem-se palavras vazias

de emoção ou sentimento,

corre tudo contra o tempo

ninguém busca as alegrias;

 

Para quê tanta cegueira

tanta surdez e mudez,

satisfação outra vez?

Nunca, com tanta canseira;

 

Parei e olhei o céu

lindas nuvens a passar

ouço um pássaro cantar,

uma joaninha no chapéu;

 

Por uns segundos pensei...

 

Sem sabor, sem saber,

já nem sei o que é viver...

 

 

Malik

 

Inverno

 

 

inverno2.jpg

 

 

 

 

As árvores estão nuas

a chuva lava as ruas

o vento é varredor,

o frio é de rachar

só há cinzento no ar

até o céu perdeu a cor;

 

Uma tela a preto e branco

um tempo de quebranto

mas também de introspecção,

pássaros escondidos

poetas deprimidos

é assim esta estação;

 

Vale o calor da lareira

e o líquido da chaleira

para aquecer nossa alma,

no sofá, um filme, um livro

uma manta, um disco antigo

que a invernia acalma;

 

Ou então namorar

e ao amor brindar

aquecendo o coração,

fazer jogos de encantar

a temperatura aumentar

do inverno fazer verão!

 

 

Malik

 

A viagem

 

 

aviagem2.jpg

 

 

 

Cada um trilha o caminho

ora acompanhado ou sozinho

no ondular do mar que é a vida,

sem bússola nem estrela do norte

certeza de um navegar à sorte

de concreto... só o porto de partida;

 

Bonanças e tempestades

aparências e verdades

fazem parte da viagem,

ter de escolher a cada momento

pode ser mais um tormento

porque o erro não tem margem;

 

Mas tudo valerá a pena

com alma grande ou pequena

a meta final será atingida,

ninguém pare ou perca coragem

tenham presente a mensagem:

O amor é o sal da vida.

 

A viagem mais encantou

aquele que mais amou...

 

 

Malik

 

Guarda-jóias

 

 

guarda-joias2.jpg

 

 

 

Mais um ano decorrido

mais um tempo que se vai,

a memória não se esvai

guardará o colorido;

 

Em guarda-jóias fechado

protegidas de olhares,

imagens são aos milhares

conservando esse passado;

 

Quando bate a nostalgia

na porta do meu presente,

num instante, num repente

vou lá buscar alegria;

 

Não há roseiras sem rosas

nem rosas há sem espinhos,

o menos bom dos caminhos

eu entendi como provas;

 

Do quintal fiz um jardim

onde semeei amor,

não receio qualquer dor

nem o fogo que há em mim;

 

Outro ano a começar

coisas novas a fazer,

renascendo o meu viver

com a força de amar.

 

 

Malik

 

Uma noite especial

 

 

umanoiteespecial2.jpg

 

 

 

Naquele fim de tarde o espírito de Natal pairava no ar

entrava em conflito com o tempo difícil que estava a passar,

perdido o emprego, contas por pagar, marido doente

a todo o momento, o ficar sem tecto, tormento na mente,

sem prenda p’ro filho, luz dos meus olhos, amor permanente;

 

Tocaram à porta, espreitei e vi um vulto no jardim

era um mendigo, talvez sem abrigo, lembrei-me de mim,

olhei-o nos olhos e sem mais receios convidei-o a entrar

ofereci-lhe um banho para usufruir de algum bem estar,

meu filho pediu, por favor mãe, que fique para jantar;

 

Lá fomos p’rá mesa farta de pobreza para partilhar

intuí uma mensagem, surgiu uma imagem, tudo vai mudar,

este mendigo teria consigo um poder curador

olhar penetrante, raio cintilante, mago redentor,

meu filho sorriu, como quem abriu, o cofre do amor;

 

Esta noite do ano, sem qualquer engano, muita Luz faz nascer

até o avarento, de humor cinzento, acaba por crer,

que a Luz da Verdade não conhece idade nem escolhe morada

cobre toda a Terra, derrota a guerra, ilumina a jornada,

meu filho é prova que a vida renova qual seiva sagrada!

 

 

Malik

 

Nada a lamentar

 

 

nadaalamentar2.jpg

 

 

 

Nada a lamentar

é tempo de inverno,

lá fora a nevar

cá dentro a amargar

um gelo interno;

 

Os dias de encanto

ficaram cinzentos,

o amo-te tanto

caído num canto

à chuva e aos ventos;

 

A peça acabou

o palco está vazio,

a rosa murchou

a fonte secou

só resta o frio;

 

Em passo apressado

contorno a memória,

passo ao lado

do nosso passado

e da nossa história;

 

Ambos ganhamos,

só se perdeu

um amor que morreu.

 

 

Malik

 

Stress

 

 

stress2.jpg

 

 

 

Andando pela calçada sem sentido ou direcção

mais parecia alma penada,

confusa e atordoada

no meio da multidão;

 

Fugi da civilização

e rumei à natureza,

na procura de beleza

que calasse a confusão;

 

Entrei num bosque profundo

procurando sensações

p´ra  libertar as tensões

que reinavam no meu mundo;

 

A paisagem deslumbrante

logo me arrebatou,

tudo em mim silenciou,

até o tempo, nesse instante;

 

Sentei-me a reflectir

porquê tanta insatisfação

se com um pouco de paixão

a vida nos faz sorrir;

 

Com sorrisos a crescer

e abraços de ternura,

encontraremos a cura

desta forma de viver;

 

Em mim nasceu uma canção

com o dom de encantar,

despertou-me a caminhar

para longe da ambição.

 

 

Malik

 

De volta

 

 

Forte chuva e trovoada

numa noite de outono,

eu de alma embrulhada

a pensar, sem fazer nada,

ao encontro do abandono;

 

Digerindo a recente despedida

sentado junto à lareira

tentando lamber a ferida,

para viver na minha vida

tinhas que ficar inteira;

 

Disseste que ias pensar

respeitei o teu desejo,

mas um carro ouvi parar

eras tu a regressar

à procura do meu beijo;

 

E como foi bom amar

numa entrega sem igual,

corações a palpitar

o desejo a disparar

em fantasia real;

 

Teus olhos da cor do mar, os trovões a ribombar,

sós entre a luz da lareira e o crepitar da madeira.

 

 

Malik

 

Sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.