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Malik, uma outra forma de poesia...

Malik, uma outra forma de poesia...

Balanço

 

balanço1.jpg

 

 

 

Esta noite não dormi

para fazer o meu balanço,

do muito que não vivi

do tempo que esperei por ti

dos dias de desencanto;

 

Foi um ano para esquecer

lá no fundo de um baú,

muito sonho por fazer

cansaço de tanto sofrer

só porque me faltas tu;

 

Muita lágrima verteu

com a voz bem embargada,

este ser que se esqueceu

de aceitar o que morreu

e do qual só ficou nada;

 

Se foi destino ou fado

ou falta de empenho meu,

o certo é que foi errado

caminhar para nenhum lado

foi o que este ano me deu.

 

 

Malik

 

Guarda-jóias

 

 

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Mais um ano decorrido

mais um tempo que se vai,

a memória não se esvai

guardará o colorido;

 

Em guarda-jóias fechado

protegidas de olhares,

imagens são aos milhares

conservando esse passado;

 

Quando bate a nostalgia

na porta do meu presente,

num instante, num repente

vou lá buscar alegria;

 

Não há roseiras sem rosas

nem rosas há sem espinhos,

o menos bom dos caminhos

eu entendi como provas;

 

Do quintal fiz um jardim

onde semeei amor,

não receio qualquer dor

nem o fogo que há em mim;

 

Outro ano a começar

coisas novas a fazer,

renascendo o meu viver

com a força de amar.

 

 

Malik

Desistir

 

desistir1.jpg

 

 

Desistir não é pecado

nem tão pouco uma fraqueza,

insistir em ficar ao lado

de quem te deixa isolado

isso sim, uma tristeza;

 

Amar também é deixar partir

por mais que possa doer,

a porta da gaiola abrir

sair quem tem de sair

para voltar a viver;

 

O amor não é prisão

e amar é libertar,

não há grades no coração

persistir numa ilusão

é sofrimento a evitar;

 

Tantas vezes ao voar

sem correntes nem algemado,

acaba por constatar

que o certo é regressar,

que seu lugar é a teu lado.

 

Malik

 

Uma noite especial

 

umanoiteespecial1.jpg

 

 

 

Naquele fim de tarde o espírito de Natal pairava no ar

entrava em conflito com o tempo difícil que estava a passar,

perdido o emprego, contas por pagar, marido doente

a todo o momento, o ficar sem tecto, tormento na mente,

sem prenda p’ro filho, luz dos meus olhos, amor permanente;

 

Tocaram à porta, espreitei e vi um vulto no jardim

era um mendigo, talvez sem abrigo, lembrei-me de mim,

olhei-o nos olhos e sem mais receios convidei-o a entrar

ofereci-lhe um banho para usufruir de algum bem estar,

meu filho pediu, por favor mãe, que fique para jantar;

 

Lá fomos p’rá mesa farta de pobreza para partilhar

intuí uma mensagem, surgiu uma imagem, tudo vai mudar,

este mendigo teria consigo um poder curador

olhar penetrante, raio cintilante, mago redentor,

meu filho sorriu, como quem abriu, o cofre do amor;

 

Esta noite do ano, sem qualquer engano, muita Luz faz nascer

até o avarento, de humor cinzento, acaba por crer,

que a Luz da Verdade não conhece idade nem escolhe morada

cobre toda a Terra, derrota a guerra, ilumina a jornada,

meu filho é prova que a vida renova qual seiva sagrada!

 

 

Malik

Tormenta

 

 

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No labirinto de amar

sempre iremos encontrar

as ratoeiras da vida,

lágrimas irão rolar

sonhos desmoronar

alegria que sai vencida;

 

Contos de fadas só em livros

ou em filmes coloridos

na tela de um cinema,

mas temos momentos vividos

com verdadeiros sentidos

já escrevemos um poema;

 

Quando a tormenta passar

abre as janelas de par-em-par

e deixa a porta encostada,

as nuvens vão-se afastar

a luz do sol vai entrar,

se eu chegar não digas nada;

 

Conversa comigo em silêncio,

perdoa-nos com um olhar

e deixa o nosso amor falar.

 

Malik

 

Esperança

 

 

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Na rua um menino chorava

mal vestido, na calçada

debruçado em seu sofrer,

quem passava e olhava

distraído, via nada

ou então não queria ver;

 

Toda a gente apressada

as compras para a consoada

faziam o mundo correr,

até o vento ajudava

não deixando ouvir na estrada

o miúdo e seu gemer;

 

Um sem-abrigo passou

e logo ali parou

acercando-se da criança,

 

As lágrimas lhe enxugou

e uma história lhe contou

de um natal feito de esperança.

 

 

Malik

Rouxinol

 

 

rouxinol1.jpg

 

 

 

Tanta é a saudade

de um tempo sem idade

que um dia nos aconteceu,

fugíamos da cidade

rumando à felicidade

na aldeia que nos acolheu;

 

Naquela casa velhinha

que não era tua ou minha

navegávamos à deriva,

em ondas e à bolina,

era servo e tu rainha

mulher da minha vida;

 

E como é bom recordar

nossa forma de acordar

aos primeiros raios de sol,

um pássaro ia-nos brindar

com melodias de encantar

talentos de um rouxinol;

 

Dizem que continua a cantar

no parapeito daquela janela,

talvez por te achar tão bela

talvez para te ver chegar.

 

 

Malik

 

Fogueira

 

 

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Mandaste cortar madeira

andaste a apanhar pinhas,

sensual foi a maneira

como ateaste a fogueira

das emoções que eram minhas;

 

Quiseste matar o frio

queimar o gelo entre nós,

ser barco ou navio

navegar no meu rio

que não tem nascente ou foz;

 

Esta noite não tem fim

sinto-te mulher inteira,

teu corpo chama por mim

perco-me no teu jardim

mantendo acesa a fogueira.

 

 

Malik

 

Razão

 

 

razão1.jpg

 

 

 

Não te deixes navegar

nos mares da indecisão,

são tormentas a evitar,

riscos de naufragar

no mundo da solidão;

 

Esquece essa ilusão

de moldar um sentimento,

ninguém manda no coração

muito menos a razão

ou o passar do tempo;

 

Quem se perde a pensar

pelos caminhos da razão,

jamais irá encontrar

a essência de amar

que nos leva à paixão.

 

 

Malik

 

Foste, és e serás...

 

 

fosteéseserás1.jpg

 

 

 

Foste prenda antecipada

no meu sapatinho de natal,

foste uma doce balada,

luz onde a noite morava,

foste aurora boreal;

 

És o sol que me aquece

e o ar que eu respiro,

és abraço quando anoitece,

beijo quando amanhece,

és fogo que me faz vivo;

 

Serás musa em meus poemas

ditarás a minha sorte,

serás o pólen nos temas,

inspiração dos meus lemas,

serás a minha estrela do norte;

 

Tu foste, és e serás a fada do meu viver,

oásis no meu deserto, quem de coração aberto

das cinzas me fez renascer.

 

 

Malik

 

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