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Malik, uma outra forma de poesia...

Malik, uma outra forma de poesia...

Outros caminhos

 

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Despi-te com o olhar

tua alma eu vi nua,

escusas de disfarçar

eu contigo quero andar

de mão dada pela rua;

 

O passado já passou

partilhemos o presente,

o que para trás ficou

tão somente motivou

darmos este passo em frente;

 

É pra nós tempo de ousar

percorrer outros caminhos,

onde viver seja amar

e um constante sonhar

descobrir novos carinhos.

 

 

Malik

 

Lagoa

 

 

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Lá fora, o frio magoa.

 

Viajo no nevoeiro

que paira sobre a lagoa

deixando-me ficar olhando

pela vidraça

como que saboreando

memórias numa barcaça

que se estão afundando.

 

Tempo que vem

que nos trouxe sorriso

e momentos no paraíso,

tempo que passa

e o sonho despedaça

o grito amordaça

e continua passando.

 

Cá dentro, o frio magoa.

 

 

Malik

 

 

Esquecer

 

 

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Disseste para te esquecer,

mais tarde

fizeste questão de o lembrar,

foi duro tanto sofrer

lembro-me preferir morrer

a ter de deixar de te amar.

 

Fui ao inferno e voltei

deixei lá meu coração,

sou agora pedra fria

sem sentir, em apatia,

que já esqueceu o dia

em que a vida era emoção.

 

Hoje sou um ser insensível

tentando ser invisível

e assim sobreviver,

tu foste o meu ocaso

se me encontrares por acaso

lembra-me de te esquecer.

 

 

Malik

 

 

Balanço

 

 

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Esta noite não dormi

p’ra fazer o meu balanço,

do muito que não vivi

do tempo que esperei por ti

dos dias de desencanto;

 

Foi um ano para esquecer

lá no fundo de um baú,

muito sonho por fazer

cansaço de tanto sofrer

só porque me faltas tu;

 

Muita lágrima verteu

com a voz bem embargada,

este ser que se esqueceu

de aceitar o que morreu

e do qual só ficou nada;

 

Se foi destino ou fado

ou falta de empenho meu,

o certo é que foi errado

caminhar p’ra nenhum lado,

foi um ano que doeu!

 

 

Malik

 

 

Deserto

 

 

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A vida

eu devorei,

dentro e fora de regras

e da lei,

sofri e amei.

 

Agora,

tudo é incerto

em mim,

espírito aberto

mas mesmo assim

nada mais pressinto

que a chegada do fim.

 

Pudesse

e faria uma passagem pelo deserto

bem para lá nas dunas sem fim,

não procurando oásis

mas tão só

conseguir mergulhar

em mim.

 

 

Malik

 

 

Guarda-jóias

 

 

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Mais um ano decorrido

mais um tempo que se vai,

a memória não se esvai

guardará o colorido;

 

Em guarda-jóias fechado

protegidas de olhares,

imagens são aos milhares

conservando esse passado;

 

Quando bate a nostalgia

na porta do meu presente,

num instante, num repente

vou lá buscar alegria;

 

Não há roseiras sem rosas

nem rosas há sem espinhos,

o menos bom dos caminhos

eu entendi como provas;

 

Do quintal fiz um jardim

onde semeei amor,

não receio qualquer dor

nem o fogo que há em mim;

 

Outro ano a começar

coisas novas a fazer,

renascendo o meu viver

com a força de amar.

 

 

Malik

 

 

(reeditado)

 

Uma noite especial

 

 

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Naquele fim de tarde o espírito de Natal pairava no ar

entrava em conflito com o tempo difícil que estava a passar,

perdido o emprego, contas por pagar, marido doente

a todo o momento, o ficar sem tecto, tormento na mente,

sem prenda p’ro filho, luz dos meus olhos, amor permanente;

 

Tocaram à porta, espreitei e vi um vulto no jardim

era um mendigo, talvez sem abrigo, lembrei-me de mim,

olhei-o nos olhos e sem mais receios convidei-o a entrar

ofereci-lhe um banho para usufruir de algum bem estar,

meu filho pediu, por favor mãe, que fique para jantar;

 

Lá fomos p’rá mesa farta de pobreza para partilhar

intuí uma mensagem, surgiu uma imagem, tudo vai mudar,

este mendigo teria consigo um poder curador

olhar penetrante, raio cintilante, mago redentor,

meu filho sorriu, como quem abriu, o cofre do amor;

 

Esta noite do ano, sem qualquer engano, muita Luz faz nascer

até o avarento, de humor cinzento, acaba por crer,

que a Luz da Verdade não conhece idade nem escolhe morada

cobre toda a Terra, derrota a guerra, ilumina a jornada,

meu filho é prova que a vida renova qual seiva sagrada!

 

 

Malik

 

(reeditado)

 

 

Sonhos

 

 

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Semeei sonhos nas minhas noites

para afastar os pesadelos,

fantasmas que me davam açoites

ou me afagavam os cabelos;

 

Nunca soube se lá estavas

como actriz ou figurante,

todas essas madrugadas

são agora águas passadas

em estado delirante;

 

Despertar num mar de medo

transpirado em terror,

vivendo isto em segredo

como se fosse um bruxedo

mesmo feito por amor;

 

Só que amar não é isso

posse não é permitido,

está para além do proibido

pois amar só tem sentido

se nada há de submisso;

 

Hoje a tranquilidade me invade

colho da sementeira

sonhos de liberdade

sem ciúme, sem tempestade

e durmo a noite inteira.

 

 

 

Malik

 

 

Mãe, até amanhã

 

 

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Na roda viva da vida

jornada após jornada,

vamos deambulando,

por distracção indevida

damos atenção a nada

o importante adiando;

 

É como andar a dormir

e os dias vão passando

sem conseguir acordar,

esquecendo o que pode surgir

conversas vão-se atrasando

sentimentos ficam por falar;

 

Até que chega o dia

em que queiramos ou não

obriga ao despertar,

derrocada da alegria

lágrimas no coração

omissões a lamentar;

 

O que ficou por dizer

é tanto, sabe-o bem Deus

perdi o meu talismã,

que vou agora fazer

não, não vou dizer adeus

minha Mãe, até amanhã!

 

 

Malik

(Reeditado)                                                            

 

Uma terna canção

 

 

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Hoje é um dia vulgar

sem qualquer comemoração,

estou para aqui a magicar

uma forma de o tornar

dia de recordação;

 

Talvez um instrumental,

uma peça de teatro,

um esboço de retrato

que realce de facto

teu rosto sem rival.

Com amor, tacto

e linguagem frontal.

 

Não.

Antes,

uma terna canção

com letra da alma

e música do coração.

 

 

Malik

 

 

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