Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Malik, uma outra forma de poesia...

Malik, uma outra forma de poesia...

O livro

 

 

olivro2.jpg

 

 

 

És o livro que não me canso de ler

a cada nova leitura mais e mais revelação,

em ti continuo a aprender

lições de amor e paixão;

 

Nessas páginas por mim tantas vezes percorridas

como é bom encontrar novos caminhos,

quero o teu livro em mil vidas

serão todas coloridas

com os tons dos teus carinhos;

 

É para mim prazer garantido

revisitar a obra que és, perfeita,

com excitação é aberto o livro

dizes-me que tudo faz sentido

quando a volúpia é eleita;

 

O amor não tem estação

nem semana, hora ou vez

cada dia a ocasião

de em jogo de sedução

amar como da primeira vez;

 

Este livro não tem fim

teus olhos nos meus

eu em ti, tu em mim.

 

 

Malik

 

Uma criança #2

 

 

umacriança.1.jpg

 

 

 

A criança corria

o mundo fugia

debaixo dos pés,

ia crescendo

na onda do tempo

ao sabor das marés;

 

Oferecia magia

criava alegria

risos eram mil,

seu olhar brilhava

enquanto brincava

no parque infantil;

 

Cantava

saltava e dançava

inocência sem dor,

qual flor delicada

nascida e criada

em ninho de amor;

 

Mundo de cor

estrela calor

arco-íris no ar,

rosa sem espinho

ternura e carinho

a desabrochar;

 

Pétalas encarnadas

talvez encantadas

por fada de luz,

ventos de harmonia

de noite e de dia

ainda sem cruz;

 

Da tranquila idade

para a mocidade

sem poder escolher,

aquela criança

depois da bonança

será uma mulher;

 

Tanta felicidade

lembrará mais tarde

no livro da vida,

da infância pura

ingénua e segura

já não permitida;

 

Falará de saudade

e da liberdade

de que usufruiu,

nostalgia dum tempo

tão simples e lento

que ontem partiu.

 

 

Malik

 

Deslumbramento

 

 

deslumbramento1.jpg

 

 

 

Ouvi um poeta cantar

seu amor à natureza,

às montanhas e ao mar

às estrelas, ao luar

paraísos e beleza;

 

Dei por mim a procurar

pela maior perfeição,

difícil de encontrar

comecei a vasculhar

o meu próprio coração;

 

Paisagens, animais, melodias

de tudo um pouco encontrei,

coisas simples, alegrias

que com o passar dos dias

sem perceber as guardei;

 

Mas nada se assemelhava

ao que o poeta cantou,

até seu olhar brilhava

quando da natureza falava

todo o mundo o adorou;

 

Navegando o pensamento

desfolhei um malmequer,

as folhas, levou-as o vento

que me trouxe o deslumbramento

do corpo de uma mulher!

 

 

Malik

 

Hoje

 

 

hoje2.jpg

 

 

 

Hoje a nossa história

não é mais que uma memória

saltando de momento em momento,

mas não estou arrependido

de por nós me ter batido

até se esgotar o tempo;

 

Foi céu enquanto durou

o mundo rendeu-se e mudou

só para nos acolher,

mas a vida quis assim

levou-te para longe de mim

reservou-me este sofrer;

 

Sentado junto ao nosso riacho

com semblante cabisbaixo

ouço a água cantar,

penso em como vou viver

sem em meus braços te ter

sem mais te poder amar;

 

Resta-me acreditar no que sinto,

a vida é um labirinto,

para mim irás voltar!

 

 

Malik

 

À varanda

 

 

avaranda2.jpg

 

 

 

Gosto de vir até aqui

quando a vida não é branda.

Gosto desta varanda.

Gosto do velho cadeirão onde me sento confortavelmente

como quem se prepara para uma longa viagem.

Sem bagagem.

Liberto o pensamento para que voe sem tempo,

só ele sabe voar assim, para lá do horizonte

como se construísse uma ponte.

Sabendo ser selectivo,

vai de imagem em imagem

onde a censura não tem margem.

É suavemente intenso

deixando-me sempre mais leve,

sei que regresso em breve.

Gosto desta varanda.

Daqui, deste vale profundo

nem o cume da serra me impede de olhar o mundo.

 

Gosto de vir até aqui.

 

 

Malik

 

Formatação

 

 

formataçao2.jpg

 

 

 

Sinto-me um feliz vagabundo

num mundo que vive ao segundo

sufocando o ser humano,

de alma já definhada

dei por mim a não querer nada

e a abandonar o rebanho;

 

Sem ponta de arrependimento

sou agora dono do tempo

que volto a sentir passar,

disse adeus à hipocrisia

abracei um novo dia

com outra forma de estar;

 

Até as cores ganharam vida

após a minha saída

do fato padronizado,

o olhar e não ver

e o viver por viver

fazem parte do passado;

 

Algo vai mal nesta sociedade formatada,

amanhã serão bem mais

a dar por si e a não querer nada!

 

 

Malik

 

Idades

 

 

idades1.jpg

 

 

 

Há jovens que estão velhos

e idosos com juventude,

desconfia dos espelhos

não abraces seus conselhos         

em imagem que ilude;

 

Olha bem teu interior

lá se encontra a tua idade,

se a pouco ou nada dás valor

e a vida perdeu sabor

já a juventude é saudade;

 

Mas se vires alguns sinais

do que foi uma criança,

vai fundo, procura mais

e não desistas jamais

neles mora a tua esperança;

 

A velhice vai-se instalando

na rotina consentida,

no sonho perder encanto

no riso que vai mingando

a cada dia de vida.

 

 

Malik

 

 

Outono

 

 

outono2.jpg

 

 

 

Respira-se melancolia

não tem nada que enganar,

já é mais pequeno o dia

pressente-se a nostalgia

é o outono a chegar;

 

O sol perdeu vigor

o orvalho regressou,

a floresta mudou de cor

sem a arte de um pintor

e a temperatura baixou;

 

As árvores vão-se despindo

sem reservas ou pudor,

de nudez se vão vestindo

seus corpos vão exibindo

como quem se abre ao amor;

 

O cheiro a terra molhada,

o bailado das folhas no vento,

tela em tons de amarelo pintada

por uma alma bem amada

que assim parou o tempo.

 

 

Malik

 

 

Amanhã vou-te encontrar

 

 

amanhavou-teencontrar2.jpg

 

 

 

Amanhã vou-te encontrar

talvez numa esquina perdida

da cidade que é a vida

onde ainda sei sonhar;

 

Amanhã vou-te encontrar

talvez numa ruela qualquer

saberás que és a mulher

que não desisto de amar;

 

Amanhã vou-te encontrar

talvez na nossa cama

que é o ninho de quem ama

e pedir-te para ficar;

 

Amanhã vou-te encontrar

talvez para toda a vida

com chegada, sem partida

num eterno namorar;

 

Amanhã, vou-te encontrar!

 

 

 

Malik

 

 

Desalento

 

 

desalento2.jpg

 

 

 

Desalento,

à margem do tempo

ao sabor do vento

num vazio sem fim.

Já nada acalento,

já nada lamento,

perdi-me de ti,

perdi-me de mim.

 

 

 

Malik

 

 

Sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

© 2017 Malik. Todos os direitos reservados.